Depois de vir à Portugal participar do Novo Ciclo do Teatro Brasileiro, com a Peça “A Mulher Carioca aos Vinte e Dois Anos”, Thiago Justino fixou-se em Lisboa, onde já vive há doze anos, conta ele entusiasmado, “na época estava a passar, aqui, a telenovela da Globo “Pedra sobre Pedra”, da qual eu havia participado, conheci a minha ex-mulher, que fazia a divulgação do evento, nos apaixonamos, e acabei ficando”. Surpreso com a ótima receptividade das platéias portuguesas, Thiago, ficou ainda mais estimulado em permanecer no país, “o teatro brasileiro tem uma energia e vitalidade indiscutível, fiz aqui, um espetáculo, patrocinado pela Fundação Calouste Gulbenkian, sobre os discursos de Martin Luther King, que misturava raps, dj, cantores, atores e bailarinos. A receptividade foi tão boa, que ficamos em cartaz durante quatro anos, por várias salas de espetáculos do país, terminando a temporada no Edge Festival, em Londres”. Thiago Justino veio do Rio de Janeiro, já formado em Comunicação Social na área de criação, produção de eventos e marketing cultural, e foi onde começou a trabalhar com teatro, desde 1980, participando de diversos grupos amadores que atuavam em teatros, favelas e associações de bairros. Ainda no Brasil, estudou dança com nomes consagrados, como Lourdes Bastos, Rubens Barbot, Rossela Terranova, Carina Cooper, e trabalhou com os diretores teatrais, Aderbal Freire Filho, Miguel Falabela, Flavio Rangel, Maria Clara Machado, etc. No cinema, o ator participou de diversos filmes brasileiros, entre outros, “Ópera do Malandro”, “Quilombo”, “Sua Exa. o Candidato”, e os etrangeiros “Lambada”, “O Quinto Macaco” (ao lado de Ben Kinley), e “Italianos no Rio”. Sua experiência com o teatro, também, o levou a ser convidado para as telenovelas e séries da Rede Globo, onde trabalhou durante dez anos, conta Thiago, “aprendi muito lá, principalmente o profissionalismo com o qual devemos encarar a nossa profissão de ator”. Entretanto, Thiago sentia-se incomodado com o fato dos atores negros fazerem sempre papéis secundários, “realmente foi na Sic, aqui em Portugal, que tive a oportunidade de fazer um papel na telenovela Ganância, cujo a humanidade do personagem era incrível, e através deste, até o hoje o meu trabalho é reconhecido e lembrado por aqui”, diz ele.
Atualmente, em Lisboa, Thiago se dedica ao teatro, atuando no espetáculo “Miss Daisy”, ao lado da atriz portuguesa, Eunice Muñoz, com direção de Celso Cleto, além de seus trabalhos na área de formação de teatro, e também para as empresas, no âmbito da motivação de equipes, e animações em eventos. “Também, tenho”, diz o ator, “um projeto de arte-educação subsidiado pela Câmara Municipal de Cascais, denominado Teatro Multiculturas-Integração Através da Arte, que desde a sua implementação tem formado e revelado diversos jovens talentos, que hoje, já estão integrados ao mercado de trabalho”.
Para Thiago, o Brasil está ficando cada vez mais distante, “o que sei do Brasil, são notícias reveladas pelos amigos, e que não são nada boas, o Brasil já não é um destino que tenho para as férias. Prefiro conhecer outros países, outras culturas. Vou lá de vez em quando visitar a família e os amigos, matar as saudades, mas as pessoas falam tão mal, das tantas dificuldades, que me entristeço em saber das potencialidades brasileiras, e impotência em poder mudá-las”.
Quando o Jornal Brazuk o perguntou qual mensagem, ele gostaria de enviar ao mundo, respondeu, “é importante, que mudemos a nossa maneira de agir, investindo cada vez mais na nossa espiritualidade para não reduzirmos a nossa dimensão humana ao materialismo e ao capitalismo selvagem a que estamos submetidos nesta vida terrena”. Thiago, terminou a entrevista, com um elogio ao Brazuk, “eu já tinha conhecimento do Jornal Brazuk, e é mesmo de louvar, a iniciativa de divulgar o que os artistas brasileiros estão a fazer em Portugal, sempre numa perspectiva de integração e de incentivo”. Portanto, agora você já sabe por onde anda o ator, diretor, professor, sorridente, Thiago Justino!